Levantamento realizado pela Climacteric apontam que mais de 70% das mulheres apresentam sintomas musculoesqueléticos durante a transição menopausal

Com o avanço da menopausa, muitas mulheres passam a conviver com dores frequentes nos joelhos, ombros, mãos e tornozelos. Embora esses sintomas costumem ser associados ao envelhecimento, especialistas alertam que a queda dos níveis de estrogênio pode desempenhar papel decisivo no surgimento de desconfortos articulares e musculares que impactam a qualidade de vida.
Um levantamento publicado pela revista científica Climacteric aponta que mais de 70% das mulheres apresentam sintomas musculoesqueléticos durante a transição menopausal. Em cerca de 25% dos casos, essas alterações provocam limitações nas atividades do dia a dia.
A especialista em terapia hormonal feminina e ginecologista, Dra. Roberta Brando, destaca que muitas pacientes chegam aos consultórios sem relacionar as dores à menopausa.
“A dor crônica em articulações como joelhos, ombros, mãos e tornozelos, frequentemente relatada por mulheres a partir dos 45 anos, não deve ser encarada como algo natural do envelhecimento. Esse hormônio tem papel essencial na saúde das articulações, e sua redução favorece processos inflamatórios, diminuição do líquido sinovial e alterações no colágeno, resultando em rigidez muscular, dor ao acordar, dificuldade de recuperação após esforço físico e limitações funcionais, como subir escadas”, explica.
O papel do estrogênio vai além da função reprodutiva. Estudos apontam que o hormônio participa da manutenção de músculos, tendões, ossos e articulações. Com sua redução, o organismo perde parte da capacidade de recuperação dos tecidos, o que favorece o aparecimento de dores recorrentes e quadros de rigidez muscular.
Cuidados ajudam a preservar mobilidade e bem-estar
Segundo a Dra. Roberta, o acompanhamento médico adequado e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para preservar a mobilidade e o bem-estar ao longo dos anos.
“Evidências científicas indicam que a combinação de colágeno tipo II, condroitina e níveis adequados de vitaminas pode contribuir para a saúde articular e a recuperação da cartilagem. A menopausa não deve ser vista como sinônimo de limitação, mas como uma fase que exige novos estímulos e cuidados específicos. Com o suporte adequado, é possível preservar a qualidade de vida, reduzir dores e manter o corpo ativo”, afirma.
A ginecologista ressalta ainda que a estratégia de cuidado não deve se restringir à reposição hormonal.
“É fundamental adotar uma estratégia multifatorial, que inclui a melhora dos hábitos de vida. A qualidade do sono, por exemplo, influencia diretamente o estado inflamatório do organismo e a preservação da massa muscular, enquanto o sedentarismo acelera a rigidez e a perda de funcionalidade, podendo levar à sarcopenia. A prática regular de atividade física é indispensável para manter a mobilidade e reduzir os sintomas”, concluí.
