Entidade afirma que medida amplia vantagem de produtos importados e pode afetar produção, empregos e investimentos no país

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alerta que a possível eliminação da tributação sobre remessas internacionais de baixo valor reduz a competitividade da indústria nacional frente aos produtos importados comercializados por plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Para a entidade, a discussão sobre a chamada “taxa das blusinhas” deve considerar os impactos sobre as empresas brasileiras, que enfrentam uma estrutura de custos elevada para produzir, investir e gerar empregos no país.
A Fiemg destaca que a redução da alíquota de importação para compras internacionais já provocou forte crescimento das operações realizadas pelo programa Remessa Conforme. Em junho de 2026, primeiro mês completo após a mudança, o valor das vendas registradas alcançou R$ 2,6 bilhões, crescimento de 101% em relação a junho de 2025 e de 37% na comparação com maio.
O último dado disponibilizado em julho também reforça esse comportamento, com R$ 2,32 bilhões em vendas, o que representa um crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior de 71,31%.
Embora os dados não permitam atribuir todo o crescimento exclusivamente à alteração tributária, eles indicam uma aceleração das compras internacionais após a redução da alíquota.
A Federação destaca que a ampliação das vantagens tributárias para produtos importados cria uma competição desequilibrada com as empresas instaladas no Brasil, que estão submetidas a custos tributários, trabalhistas, regulatórios e de conformidade para manter suas operações.
A entidade ressalta que esse cenário pode comprometer a produção nacional, os investimentos e a geração de empregos ao longo das cadeias produtivas.
Nesse contexto, a Fiemg reforça que os impactos não se restringem ao comércio eletrônico, podendo alcançar setores produtivos mais expostos à concorrência internacional. A redução da competitividade da indústria nacional pode afetar a utilização da capacidade instalada, o planejamento de investimentos e o desenvolvimento de cadeias produtivas no país.
Para a coordenadora da Gerência de Economia da Fiemg, Juliana Gagliardi, o debate precisa considerar os efeitos da medida sobre a capacidade de competição da indústria brasileira.
“A indústria nacional precisa competir em condições equilibradas com os produtos importados. Quando há uma diferença nas regras aplicadas aos fornecedores estrangeiros e às empresas que produzem no Brasil, há impactos sobre investimentos, empregos e sobre a capacidade da indústria de continuar gerando valor para a economia brasileira”, afirma
A Fiemg reforça que a tributação sobre remessas internacionais de baixo valor não deve ser interpretada como uma barreira ao comércio, mas como uma medida necessária para garantir condições equilibradas de competição e isonomia no tratamento tributário para a indústria brasileira.
Para a entidade, qualquer alteração no modelo atual deve considerar os impactos econômicos de longo prazo e preservar a capacidade da indústria brasileira de competir, investir e gerar empregos.
