O projeto pretende retirar até 20 toneladas de resíduos orgânicos por mês e testar um sistema que pode ser ampliado para outras cidades brasileiras

Mais da metade dos resíduos domiciliares gerados em Guaxupé é orgânica. São cerca de 20 toneladas por dia de restos de comida, cascas e resíduos verdes (podas de árvores) que hoje seguem para aterro sanitário.
Buscando transformar resíduo orgânico em adubo, renda para catadores e economia para os cofres públicos, a proposta de um novo sistema de compostagem começa a ser testada em Guaxupé, no Sul de Minas. A partir deste mês, estes resíduos serão separados, coletados e transformados em composto, gerando trabalho e renda para os catadores da cidade.
O projeto Guaxupé Composta faz parte do programa Mutirão Brasil, das redes internacionais de cidades C40 Cities e Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM) e recebe assistência técnica dos institutos Pólis e 17 (i17) A iniciativa prevê a implantação de uma Unidade de Valorização de Resíduos Orgânicos (UVRO) e coleta seletiva em residências, restaurantes e outros grandes geradores de lixo.
Na primeira fase, a expectativa é retirar 15 a 20 toneladas de resíduos orgânicos por mês do aterro, cerca de 2% do volume orgânico gerado no município. A unidade foi dimensionada para processar até 300 toneladas por mês à medida que o sistema ganhar escala.
“Boa parte do que as cidades brasileiras mandam para aterros é resíduo orgânico que pode virar adubo. Guaxupé decidiu encarar isso de frente e é justamente com esse tipo de projeto que se une à solução ambiental e geração de renda que o Mutirão Brasil existe para apoiar. O papel do programa é ajudar cidades a transformar a intenção em um sistema que funciona e que outras possam replicar”, explica Caio Raposo, Gerente Sênior de Resíduos do Programa Mutirão Brasil.
Restos de comida, cascas e podas estão entre os materiais que mais pesam no lixo doméstico e, na maioria das cidades, são enviados a aterros distantes, a um custo alto de transporte e aterramento, quando poderiam voltar ao solo como adubo.
Hoje, cada tonelada enviada ao aterro em Guaxupé custa R$ 105 apenas pelo aterramento, além do transporte. Com a compostagem local, o trajeto dos resíduos será reduzido de 42 km para 14 km, diminuindo custos e impactos do transporte. É um desperdício duplo: paga-se para transportar e enterrar um recurso que, aproveitado, poderia gerar adubo, trabalho e renda.
A compostagem inverte essa lógica quando em vez de seguir para o aterro, o resíduo orgânico pode ser separado, coletado e submetido a um processo natural de decomposição controlada até virar composto. O que era despesa passa a ter valor, o mesmo material que custava transporte e aterro se transforma em adubo capaz de voltar à agricultura e às áreas verdes.
Tratar o resíduo orgânico perto de onde ele é gerado encurta trajetos e corta custos. Quanto menor a distância até o destino final, menos combustível, menos emissões e menos dinheiro público gastos com transporte e aterro, uma conta que fica ainda mais favorável à medida que a compostagem ganha escala e substitui o envio de orgânicos para longe.
O protagonismo dos catadores
Os cooperados da Recicla Guaxupé estarão diretamente envolvidos na coleta, no recebimento e na operação da compostagem. Mais do que isso: o modelo está sendo construído com eles, por meio de capacitação. Assim, a solução para o lixo se torna também uma oportunidade de renda para esses profissionais.
“Quando olhamos para o lixo orgânico, costumamos enxergar um problema. O Guaxupé Composta nasce para mostrar que ali também existe oportunidade de criar adubo para o solo, renda para as famílias dos catadores e uma cidade mais limpa. É um projeto que começa em Guaxupé, mas que pode e deve servir de exemplo para outras cidades do estado de Minas e, por que não, de todo o Brasil que enfrentam o mesmo desafio”, afirma Homayra Abdala de Araújo , secretária de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente.