Levantamento feito pela Rico considerou o aumento nos preços nos últimos cinco anos dos itens mais característicos para a comemoração, como doces, brinquedos e roupas infantis

Da Redação
Inflação, doces e chocolates
O segmento de doces e guloseimas foi o que mais pesou no bolso das famílias na visão acumulada de longo prazo. O destaque fica para os chocolates em barra e bombons, que dispararam +76,06% em cinco anos e acumulam alta de +12,45% nos últimos 12 meses (com variação de +3,45% em 2026).
Outros itens tradicionais da comemoração acompanharam essa trajetória de forte alta quinquenal, como os sorvetes (+52,12% em cinco anos), os bolos (+43,41%) e as balas (+36,44%).
A disparada dos doces é explicada principalmente pelo cenário internacional das commodities agrícolas. O cacau enfrentou um dos maiores ciclos de alta da história recente no mercado global, ultrapassando US$ 11.000 por tonelada em 2024, enquanto o açúcar também voltou a registrar forte pressão nas cotações internacionais em meio a projeções de oferta restrita.
O repasse acumulado desses custos de matérias-primas ao longo dos últimos anos transformou o lado mais tradicional da festa na principal pressão inflacionária da cesta.
Vestuário infantil
Representando o “presente útil” na visão dos pais, o setor de vestuário apresentou comportamentos divergentes entre roupas e calçados. As roupas infantis acumulam alta de +29,02% em cinco anos — patamar levemente abaixo do IPCA geral (+29,90%) — e registraram deflação de -0,38% em 2026 (+2,05% em 12 meses).
Em contrapartida, os sapatos infantis acumulam expressiva alta de +50,60% em cinco anos, somando +4,74% em 12 meses e +3,96% em 2026.
Brinquedos e itens de lazer
Os brinquedos tradicionais acumulam variação de +29,80% em cinco anos, praticamente em linha com a inflação oficial (+29,90%). No entanto, a categoria acelerou em 2026 com alta de +4,61% no ano (e +3,60% em 12 meses), superando o IPCA acumulado de janeiro a agosto (3,11%).
O movimento no curto prazo decorre de pressões sobre os custos de produção e recomposição de margens da indústria nacional, conforme dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).
Dicas de planejamento e proteção do poder de compra
A inflação do Dia das Crianças mostra que o impacto no bolso das famílias vai muito além de números isolados. Planejamento e escolhas inteligentes podem fazer a diferença: antecipar compras, comparar preços e considerar alternativas educativas ou experiências são formas de celebrar a data sem comprometer o orçamento. Afinal, o que fica não é o valor do presente, mas as memórias que ele ajuda a construir.
Para proteger o poder de compra, se torna essencial olhar para a inflação também nos investimentos. Segundo o levantamento da Rico, para objetivos de médio e longo prazo, os produtos atrelados ao IPCA são aliados importantes, pois acompanham a evolução dos preços e ajudam a preservar o valor real do patrimônio.
Já para metas de curto prazo, como compras sazonais ou reservas emergenciais, as opções pós-fixadas oferecem liquidez e segurança em um cenário de juros ainda elevados, com a Selic em 13,75% ao ano.
