Como esperado, a aceleração do índice cheio foi determinada principalmente pela reversão do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica

 

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O IPCA-15 de setembro subiu 0,70% M/M, acima da projeção (XP: 0,58%; BBG: 0,55%). A variação acumulada em 12 meses acelerou de 4,24% para 4,47% (Foto: Gerada por IA)

 

O IPCA-15 de setembro subiu 0,70% M/M, acima da projeção (XP: 0,58%; BBG: 0,55%). A variação acumulada em 12 meses acelerou de 4,24% para 4,47%. As principais surpresas altistas vieram de passagens aéreas (+5,4 bps), gasolina (+3,3 bps), tubérculos, raízes e legumes (+1,7 bps) e seguro de veículo (+1,6 bps).

Do lado baixista, energia elétrica (-2,9 bps), higiene pessoal (-2,2 bps) e cinema, teatro e concertos (-0,9 bps) compensaram parcialmente o desvio. O índice de difusão subiu de 52% em agosto para 54%.

Como esperado, a aceleração do índice cheio foi determinada principalmente pela reversão do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica. Ainda assim, a surpresa altista veio dos preços livres. A energia elétrica subiu 7,42% (XP: 8,15%), levando o grupo habitação a avançar 2,07% e os preços administrados, 1,28%.

A gasolina subiu 0,30%, contra nossa expectativa de -0,35%, contribuindo para o desvio. Os preços livres, por sua vez, subiram 0,50% (XP: 0,33%), respondendo integralmente pela diferença em relação à nossa projeção, com altas nos três segmentos: a alimentação no domicílio voltou ao terreno positivo, os serviços avançaram com força por conta de passagens aéreas e seguro de veículo, e os bens industriais subiram com cigarro e com ganhos em bens duráveis e vestuário.

A média dos núcleos subiu 0,34% M/M, acima da nossa projeção (XP: 0,29%). No acumulado em 12 meses, a média dos núcleos passou de 4,17% para 4,32%. A média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada (3M SAAR) subiu de 3,9% para 4,3% — ainda abaixo do teto da meta, mas com alta mais intensa do que esperávamos. Após meses de desaceleração, a 3M SAAR parece ter revertido a trajetória de queda, e avaliamos que seguirá pressionada adiante.

Os preços administrados subiram 1,28% (XP: 1,27%), explicando a maior parte da aceleração do índice cheio. A reversão do bônus de Itaipu veio ligeiramente abaixo da nossa estimativa, mas o efeito foi compensado pela gasolina, que subiu 0,30% em vez da queda que projetamos.

O efeito do bônus de Itaipu se esgota em setembro e deixa de ser fator de pressão a partir de outubro. A manutenção das subvenções e da desoneração dos combustíveis deve manter seus preços estáveis no curto prazo, a despeito da aceleração das cotações internacionais.

A alimentação no domicílio subiu 0,38% (XP: 0,23%), a primeira alta após três quedas mensais consecutivas. A surpresa altista concentrou-se em tubérculos, raízes e legumes e em carnes, parcialmente compensada por cereais, leguminosas e oleaginosas. A alimentação fora do domicílio subiu 0,44% (XP: 0,38%).

Atribuímos essa alta aos primeiros sinais de aceleração decorrentes das chuvas intensas recentes associadas ao El Niño. Assim, de acordo com nossa projeção, a deflação de alimentos observada desde junho chegou ao fim, e seguimos esperando aceleração da inflação de alimentos no 4T26, em função dos efeitos do El Niño e da alta dos preços de carnes.

Os serviços seguem resistentes. A inflação de serviços subiu 0,59% (XP: 0,29%), puxada por passagens aéreas (+9,8%, após -13,3% em agosto) e transporte por aplicativo (+5,8%, após -5,2% em agosto). A variação em 12 meses acelerou de 5,5% para 6,0%.

Os serviços subjacentes subiram 0,28% (XP: 0,25%), desacelerando em relação aos 0,50% de agosto, sobretudo pela queda dos preços do cinema durante a semana promocional.

Ainda assim, a 3M SAAR acelerou de 4,6% para 5,2%, e a variação em 12 meses subiu de 5,0% para 5,3%. Os serviços intensivos em mão de obra subiram 0,56% (XP: 0,51%), com a 3M SAAR avançando de 6,8% para 7,1% e a variação em 12 meses em 7,29%, ambas ainda bem acima de níveis compatíveis com a meta.

O componente de serviços segue mostrando resiliência diante do mercado de trabalho aquecido e deve permanecer como principal foco de atenção do Banco Central.

Os bens industriais subiram 0,43% (XP: 0,47%), com a alta concentrada em cigarro, refletindo a elevação do IPI. Os industriais subjacentes subiram apenas 0,05% (XP: 0,23%), com higiene pessoal como principal fator baixista; sua 3M SAAR recuou de 3,5% para 2,0%, e a variação em 12 meses desacelerou de 3,83% para 3,52%.

Em suma, o IPCA-15 de setembro acelerou mais do que o esperado. Além da reversão do bônus de Itaipu, os preços livres surpreenderam para cima. Embora permaneça abaixo do teto da meta, a média dos núcleos interrompeu a trajetória benigna das leituras recentes.

Por sua vez, os serviços subjacentes e os intensivos em mão de obra seguem como principal ponto de atenção do Banco Central. Nossa projeção para o IPCA de setembro — incorporando os itens já capturados por este IPCA-15 — passa de 0,58% para 0,68%. Nossa projeção de 5,0% para o IPCA de 2026 possui viés de alta.

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