Medida amplia custos de acesso ao mercado norte-americano e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros

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Tarifa dos EUA: empresas temem a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos (Foto: Wenderson Araujo/Trilux)

 

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia com grande preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (15), de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

A medida cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto efetivo dependerá dos produtos alcançados, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais.

Entre as possíveis consequências estão a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais.

 

“A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras”, afirma a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, Verônica Winter.

 

Quais são as principais consequências para o Brasil?

1. Queda da competitividade das exportações
Produtos brasileiros ficam mais caros para importadores americanos, o que tende a reduzir a demanda e favorecer concorrentes de outros países.

2. Redução das vendas aos EUA
Empresas exportadoras podem perder contratos ou precisar reduzir margens para manter clientes, principalmente em setores com forte concorrência internacional.

3. Impacto sobre empregos
Indústrias voltadas para exportação podem diminuir produção, afetando empregos, sobretudo em estados com grande participação nas vendas para os Estados Unidos.

4. Pressão sobre o câmbio
Uma redução das exportações pode diminuir a entrada de dólares no país, gerando pressão sobre o real. Outros fatores macroeconômicos, porém, também influenciam o câmbio.

5. Busca por novos mercados
Empresas brasileiras tendem a acelerar a diversificação das exportações para Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina, reduzindo a dependência do mercado americano.

6. Possível reação do governo brasileiro
O governo brasileiro já sinalizou que poderá utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica, além de buscar negociações diplomáticas e eventual contestação internacional da medida.

Quais setores foram mais afetados?

Entre os produtos que passam a enfrentar a tarifa de 25% estão diversos segmentos industriais e do agronegócio, como:

  • açúcar;
  • etanol;
  • máquinas e equipamentos;
  • produtos químicos;
  • têxteis e vestuário;
  • calçados;
  • móveis;
  • alguns produtos farmacêuticos;
  • diversos manufaturados.

Quais setores ficaram de fora da tarifação?

Embora a medida seja ampla, os EUA publicaram uma lista com mais de 2.100 itens isentos. Entre os principais estão:

  • carne bovina;
  • café solúvel (instantâneo);
  • obras de arte;
  • ferro-gusa;
  • alguns minerais estratégicos;
  • determinados produtos agrícolas;
  • materiais informativos;
  • algumas categorias específicas de insumos industriais.

É importante observar que a lista de exceções é bastante detalhada e depende da classificação tarifária (código HS), ou seja, dentro de um mesmo setor pode haver produtos tributados e outros isentos.

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