Representante do setor alerta para perda de competitividade e impacto da alíquota em milhares de empresas

A entrada em vigor da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros acendeu um novo sinal de alerta para a cadeia de joias, gemas e folheados. A medida passou a valer na quarta-feira (22) e amplia as dificuldades enfrentadas por empresas que dependem do mercado norte-americano.
A taxação é resultado de uma investigação iniciada após o anúncio de uma alíquota de 50% feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em julho de 2025. O governo norte-americano argumenta que políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, patentes e questões ambientais criam condições de concorrência desleal e insegurança jurídica.
Para o empresário e presidente do Sindijoias Ajomig, Murilo Graciano, a nova tarifa representa mais um obstáculo para um segmento que já sente os reflexos das restrições comerciais adotadas nos últimos anos.
“Infelizmente a gente vem mais uma vez recebendo esta notícia do tarifaço e é uma notícia que ela não é muito bem recebida para a gente. Ela traz enormes impactos, obviamente negativos para o nosso segmento”, explica.
Segundo Graciano, os Estados Unidos figuram historicamente entre os principais destinos das exportações brasileiras de pedras preciosas e joias. Com o aumento das tarifas ao longo de 2025, o setor já registrou retração superior a 20% nas vendas para o mercado norte-americano.
“Os Estados Unidos sempre foram o primeiro ou segundo maior parceiro comercial do Brasil no setor de pedras preciosas e joias. No entanto, o cenário de altas tarifas em 2025 provocou uma queda de mais de 20% nas exportações, gerando prejuízo e perda de competitividade frente a outros players internacionais”, aponta.
De acordo com o representante, os reflexos podem atingir toda a cadeia produtiva. Atualmente, o segmento reúne cerca de 35 mil estabelecimentos e gera aproximadamente 170 mil empregos diretos no País.
Setor busca apoio e novos mercados
Diante do cenário, o governo brasileiro tem priorizado negociações diplomáticas e estudos de impacto econômico. A estratégia também inclui a busca por novos mercados capazes de absorver parte da produção afetada pelas tarifas.
Para Murilo Graciano, será fundamental a adoção de medidas alternativas que ajudem as empresas a atravessar o período de instabilidade.
“Nós falamos de um perfil de empresas mais vulneráveis diante de cenários negativos iguais a estes aí. Muito por conta de seu tamanho. Então, agora, estamos pressionando o governo federal para sensibilidade com a nossa classe e procurar dar vazão aos nossos produtos. Além disso, precisamos de linhas de créditos diferenciadas ou mais facilitadas para não sentirmos fortemente os impactos com a implementação desse tarifaço”, finaliza Murilo.