Crédito registra um crescimento de 10% em relação a 2025, enquanto gestores projetam um segundo semestre de arrecadação mais desafiador

As prefeituras mineiras receberam nesta quinta-feira (30) o repasse do terceiro decêndio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que somou R$ 607,7 milhões líquidos. O valor já considera os descontos destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).
Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o montante representa um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de julho de 2025. Em todo o País, o crédito destinado aos municípios alcançou R$ 5,15 bilhões.
O terceiro decêndio considera a arrecadação registrada entre os dias 11 e 20 do mês e, tradicionalmente, corresponde a cerca de 30% do valor total esperado para o FPM mensal.
Apesar do resultado positivo, a Associação Mineira de Municípios (AMM) recomenda prudência na administração dos recursos. O presidente da entidade e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira, afirma que o aumento dos repasses não acompanha o ritmo de crescimento das despesas municipais.
“Embora o fundo tenha tido um aumento de 10%, as despesas, proporcionalmente falando, foram maiores. Isso certamente não é suficiente para cobrir o rombo das contas municipais”, avalia.
Segundo semestre exige atenção
De acordo com Vieira, o segundo semestre costuma registrar desaceleração na arrecadação, o que exige planejamento mais rigoroso por parte das administrações municipais. O dirigente também destaca que o cenário econômico internacional e as incertezas fiscais podem impactar a receita dos municípios nos próximos meses.
Entre os fatores de preocupação estão os efeitos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, que atingem setores relevantes da economia mineira, além das instabilidades geopolíticas no Oriente Médio.
“Por isso todo cuidado é pouco na gestão desses recursos, ainda mais que estamos em ano eleitoral, o que também impacta na economia do País”, afirma.