O Dia Mundial do Coração, celebrado dia 29 de setembro, alerta que uma alimentação saudável é aliada na prevenção de doenças cardiovasculares

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morte no mundo, e muitas delas podem ser prevenidas com a redução de fatores de risco, como tabagismo, alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo e consumo nocivo de bebidas alcoólicas.
A nutricionista especialista em longevidade e bem-estar, Helga Lott, destaca que as recomendações da American Heart Association (AHA) reforçam o papel da alimentação saudável na proteção do coração.
“A AHA defende uma abordagem baseada no padrão alimentar como um todo, privilegiando frutas, vegetais, leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico, cereais integrais, castanhas e sementes, azeite de oliva, peixes, especialmente os ricos em ômega-3, fontes adequadas de proteína”.
Segundo Helga Lott, as evidências científicas mostram de forma consistente que uma alimentação cardioprotetora deve fazer parte dos hábitos ao longo da vida.
“Também é importante priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e boas fontes de proteína. Esse padrão fornece fibras, antioxidantes, compostos bioativos, minerais e gorduras insaturadas que contribuem para o controle do colesterol, da pressão arterial e da glicemia, além de favorecer um ambiente metabólico menos inflamatório”, orienta.
Em contrapartida, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcares adicionados, sódio, carnes processadas, gorduras trans e excesso de gorduras saturadas está associado a maior risco cardiovascular. “Cabe esclarecer que existem diferentes tipos de gordura e que elas têm impactos distintos sobre a saúde. As gorduras trans industriais devem ser evitadas. Mais do que simplesmente olhar a quantidade total de gordura de um alimento, é importante observar sua qualidade e o padrão alimentar em que ele está inserido”, explica.
As gorduras saturadas não precisam necessariamente ser eliminadas da alimentação, mas seu consumo deve ser limitado, priorizando sua substituição por fontes de gorduras insaturadas.
“Elas estão naturalmente presentes em diversos alimentos, como manteiga, algumas carnes, queijos e produtos à base de óleo de coco ou palma. O mais importante é evitar o excesso e, sempre que possível, privilegiar fontes de gorduras insaturadas”, descreve.
Entre as fontes de gorduras insaturadas estão azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, amêndoas e sementes. Já os ácidos graxos ômega-3 podem ser encontrados especialmente em peixes gordurosos, como sardinha e salmão. Essas substituições, dentro de um padrão alimentar
equilibrado, são mais favoráveis à saúde cardiovascular, conforme esclarece a nutricionista.
Segundo Helga Lott, mais interessante do que pensar em proibições é avaliar frequência, quantidade e, principalmente, a qualidade global da alimentação.
“Quando pensamos em longevidade, não se trata apenas de acrescentar alimentos considerados saudáveis. Reduzir exposições que aumentam o risco cardiovascular ao longo dos anos também faz parte da prevenção. E alimentação é apenas um dos pilares: preservar a massa muscular, praticar atividade física regularmente, dormir bem e manter outros hábitos de vida saudáveis também são fundamentais. Saúde cardiovascular é construída ao longo da vida. Equilíbrio e constância são mais importantes do que proibições isoladas”, finaliza.