Capacitação reúne autoridades e profissionais do setor aéreo após apreensões de espécies transportadas ilegalmente pelo terminal mineiro

Da Redalção
O BH Airport realizou um treinamento voltado ao enfrentamento do tráfico de animais silvestres, crime que movimenta bilhões de reais por ano no Brasil e ameaça a biodiversidade. A iniciativa capacitou profissionais que atuam no terminal para identificar sinais de transporte irregular de fauna e aprimorar os procedimentos de inspeção de passageiros e bagagens.
A ação reuniu equipes do aeroporto, agentes da Proteção da Aviação Civil (Apacs), Polícia Federal, Receita Federal e Ibama, além de profissionais de companhias aéreas. A capacitação integra o programa DetectaTraf Aeroportos, iniciativa do Ibama voltada ao fortalecimento das ações de prevenção ao tráfico de animais silvestres.
O treinamento abordou identificação básica de espécies, métodos utilizados por traficantes para ocultar animais, análise de imagens de equipamentos de raio X, técnicas de busca pessoal e procedimentos de resposta a possíveis ocorrências. A programação também incluiu discussões entre as instituições participantes para alinhar protocolos de atuação.
Segundo o gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves, a qualificação das equipes é fundamental para ampliar a capacidade de prevenção e fiscalização dentro do ambiente aeroportuário.
“A prevenção ao tráfico de fauna no transporte aéreo exige equipes qualificadas, procedimentos consistentes e integração entre todos os agentes que atuam no ambiente aeroportuário. O treinamento aprimora a identificação de espécies e de formas de ocultação,fortalece a atuação coordenada com as autoridades e torna mais eficiente a resposta a possíveis ocorrências. Ao integrar a rede de Aeroportos Guardiões da Fauna Silvestre, ampliamos a nossa contribuição para coibir esse crime e reafirmamos a proteção da biodiversidadecomo parte da nossa agenda ambiental”, afirma.
Apreensões revelam desafios no combate ao tráfico de animais
Casos registrados recentemente no BH Airport ajudam a dimensionar o desafio enfrentado pelas equipes de fiscalização. Entre as apreensões estão uma estrela-do-mar transportada na bagagem de mão de uma passageira, corais marinhos, caranguejos-uçá levados irregularmente durante o período de reprodução.
Segundo estimativas do Ibama, cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza todos os anos no Brasil. O comércio ilegal movimenta aproximadamente R$ 5 bilhões por ano e provoca impactos diretos sobre os ecossistemas e a conservação da biodiversidade. A legislação prevê multas que variam de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, além de responsabilização criminal.
Compromisso ambiental
As ações de enfrentamento ao tráfico de fauna integram uma agenda ambiental mais ampla desenvolvida pelo BH Airport. Em 2022, o terminal aderiu ao pacto da United for Wildlife para combater o comércio ilegal de animais e plantas silvestres.
Entre as iniciativas mantidas pelo aeroporto está a passagem de fauna instalada sob a rodovia LMG-800, estrutura que oferece uma rota segura para o deslocamento de animais silvestres. O projeto contribui para reduzir atropelamentos, favorecer a circulação da fauna entre áreas de vegetação e aumentar a segurança viária no principal acesso ao aeroporto.
A iniciativa foi reconhecida pelo Green Airport Recognition, premiação voltada a projetos ambientais desenvolvidos por aeroportos da América Latina e do Caribe. O reconhecimento marcou o quinto ano consecutivo em que o BH Airport recebeu o título de Aeroporto Verde.