Especialista da UFMG alerta para a importância dos exames precoces diante de doenças que ainda atingem milhares de brasileiros sem diagnóstico

Silenciosas e muitas vezes sem sintomas, as hepatites virais ainda representam um desafio para a saúde pública brasileira. No Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, especialistas alertam para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para reduzir casos de cirrose, câncer de fígado e outras complicações associadas à doença.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o País registrou mais de 780 mil casos de hepatites virais entre 2000 e 2023. Embora os tratamentos tenham avançado significativamente nos últimos anos, a detecção precoce continua sendo um dos principais desafios para evitar complicações graves.
Segundo a professora de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Paula Teixeira Vidigal, muitas pessoas convivem com a infecção sem perceber, já que o fígado consegue manter suas funções mesmo quando apresenta comprometimentos importantes.
“O fígado é um órgão extremamente funcional, ou seja, ele continua trabalhando mesmo estando doente. Por isso, a maioria só descobre a infecção quando ela já está em estágio avançado”, explica.
Mesmo sem sintomas, exames laboratoriais de rotina e testes sorológicos são fundamentais para indicar alterações em um diagnóstico precoce.
Diagnóstico precoce segue como principal desafio
Para a especialista, o maior obstáculo no enfrentamento das hepatites virais, especialmente da hepatite C, não está mais no tratamento, mas na identificação das pessoas infectadas.
“Por ser silenciosa, muitas pessoas vivem infectadas sem apresentar sintomas, não sabem que carregam o vírus e, além da eventual progressão da doença, ainda podem transmiti-la para outras pessoas”, explica.
Sem vacina disponível para a hepatite C, a prevenção depende principalmente da redução dos riscos de contato com sangue contaminado. O compartilhamento de objetos cortantes, como alicates de manicure, materiais utilizados em tatuagens, piercings e outros instrumentos não esterilizados, permanece entre as principais formas de transmissão.
Por isso, especialistas recomendam que todo adulto realize ao menos uma vez na vida a sorologia para hepatite C, mesmo sem apresentar sintomas. O exame permite identificar precocemente a infecção, iniciar o tratamento e interromper a cadeia de transmissão.
Tratamento transformou o combate à hepatite C
Se o diagnóstico ainda representa um desafio, o tratamento passou por uma revolução na última década. A chegada dos antivirais de ação direta elevou significativamente as chances de cura da hepatite C e mudou o cenário da doença.
“Hoje temos medicamentos muito eficazes, o que faz da hepatite C uma doença curável. O problema é encontrar as pessoas que têm o vírus”, enfatiza Paula.
Para especialistas, ampliar o acesso aos exames e fortalecer campanhas de conscientização são medidas essenciais para reduzir o número de casos avançados e ampliar o controle das hepatites virais no Brasil.