De acordo com a PNAD Contínua do IBGE, o Brasil possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência, cerca de 8,9% da população com 2 anos ou mais

Às vésperas do Dia Nacional do Surdo, celebrado neste sábado (26 de setembro), o debate sobre acessibilidade ganha contornos econômicos e de governança. De acordo com a PNAD Contínua do IBGE, o Brasil possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência (cerca de 8,9% da população com 2 anos ou mais).
No entanto, a falta de produtos, plataformas e conteúdos adaptados segue excluindo uma fatia expressiva de consumidores — uma lacuna que afeta a sustentabilidade financeira das próprias empresas.
Para Thaísa Durso, especialista em finanças pessoais da Rico, existe um custo invisível na ausência de acessibilidade.
“No mercado financeiro, enxergar apenas parte do público é uma forma silenciosa de limitar o próprio crescimento. A acessibilidade não deve ser vista como um custo ou gesto simbólico, mas como uma decisão de negócio estratégica associada a resultados mensuráveis”, aponta a especialista.
O retorno financeiro da inclusão (ESG)
A tese de que a inclusão impulsiona o desempenho empresarial é amparada por dados internacionais. Segundo o estudo Getting to Equal: The Disability Inclusion Advantage, conduzido pela Accenture em parceria com a Disability:IN e a AAPD, empresas líderes em indicadores de inclusão registraram, em média, 28% mais receita, o dobro do lucro líquido e margens de lucro econômico 30% maiores.
Na atualização publicada em 2023, as empresas que lideravam os indicadores de inclusão registraram, em média, 1,6 vez mais receita e 2,6 vezes mais lucro líquido do que as demais participantes da pesquisa.
“Ao incorporar a acessibilidade à jornada digital do cliente, as companhias ampliam seu alcance e fortalecem a resiliência no longo prazo. Mais do que afirmar que diversidade, sozinha, gera lucro, os estudos mostram uma associação consistente entre inclusão e melhor desempenho empresarial. Fora do balanço, o efeito aparece em um lugar igualmente importante: a relação com o público”, avalia Thaísa.
No pilar Social (S) do ESG, a acessibilidade digital e de atendimento atua diretamente na fidelização e no engajamento do cliente. “Marcas acessíveis se destacam porque a inclusão fideliza quem finalmente se sente representado, valorizado e integrado”, diz a especialista.
Inclusão na prática no mercado de capitais
Apesar dos avanços corporativos, a oferta de educação financeira em Língua Brasileira de Sinais (Libras) permanece limitada no país. Para suprir esse hiato, a Rico estruturou uma frente permanente de acessibilidade que opera ao longo de todo o ano, sem se restringir a datas comemorativas.
A Rico mantém a série Finanças em Libras, com vídeos de educação financeira explicados diretamente em Libras no canal oficial da corretora no YouTube. E o detalhe que faz diferença: na Riconnect, “Finanças em Libras” é uma das categorias fixas de vídeo, ao lado de Primeiros passos, Renda Fixa, Renda Variável e Finanças Pessoais.
E há uma camada desse trabalho que raramente aparece na tela. Muitos termos financeiros não contavam com sinais amplamente consolidados em Libras. Selic, Tesouro Direto e outros conceitos exigiram pesquisa, construção e validação de sinais para que a explicação fizesse sentido.
“Na minha experiência, ensinar em Libras não é traduzir palavra por palavra: exige cuidado terminológico e didática pensada com a comunidade surda. Educação financeira só é completa quando chega a todas as línguas — e a Libras é uma delas”, conclui Thaísa Durso.