Especialistas destacam importância da mamografia e do acolhimento multidisciplinar diante de uma das doenças que mais atingem mulheres no País

Fachada do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte, referência no tratamento oncológico e no atendimento a pacientes com câncer de mama pelo SUS
Fachada do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte, instituição que atua no diagnóstico, tratamento e reconstrução mamária de pacientes com câncer de mama pelo SUS (Foto: Hospital da Baleia / Divulgação)

 

O câncer de mama segue entre os tumores mais frequentes entre as mulheres brasileiras. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 781 mil novos casos por ano no País até 2028. Apesar dos números expressivos, quando diagnosticada precocemente, a doença apresenta taxas de cura superiores a 90%.

A mamografia, principal exame para identificação do câncer de mama, permite detectar alterações milimétricas antes mesmo de serem perceptíveis ao toque. Quando o diagnóstico acontece tardiamente, a doença pode já ter avançado e atingido outros órgãos.

Maria da Consolação, de 69 anos, vive essa realidade desde 2019. Em tratamento no Hospital da Baleia, ela descobriu a doença após uma série de exames, quando o câncer já havia alcançado o braço.

 

“Espero que possam surgir outros tratamentos menos agressivos, a quimio não é fácil, né? Mas deu certo. Fui muito bem acolhida no Baleia e a minha família sempre me acompanhou”, conta. 

 

Segundo a médica mastologista e coordenadora do serviço de mastologia do Hospital da Baleia, Edite de Fátima,  a doença costuma se manifestar entre de 40 a 60 anos, os diagnósticos em mulheres mais jovens têm se tornado mais frequentes, inclusive antes dos 30 anos.

 

“A melhor forma de prevenção é a realização do exame e, diante de qualquer alteração nas mamas, procurar orientação médica. A idade recomendada para rastreamento do câncer continua sendo a partir dos 40 anos”, diz a médica.

 

Cuidado vai além do tratamento médico

Para além do diagnóstico, o acompanhamento exige integração entre diferentes especialidades e sensibilidade no acolhimento das pacientes.

No Hospital da Baleia, o trabalho reúne agentes de saúde, ginecologistas, mastologistas, oncologistas e equipes de apoio psicológico. Segundo Edite de Fátima, o impacto emocional do diagnóstico exige uma abordagem humanizada em todas as etapas.

 

“A paciente com um diagnóstico de câncer de mama fica extremamente fragilizada, precisa de um apoio psicológico. Já a mastologista deve apoiar, explicar e tratar, interagindo com a oncologia e vice-versa”, comenta.

 

A especialista destaca ainda a necessidade de ampliar o olhar sobre diferentes contextos sociais e de gênero. Mulheres trans também apresentam risco para o câncer de mama devido ao uso contínuo de hormônios, que estimula o tecido mamário.

Pesquisa realizada em 2019 pela University Medical Center, de Amsterdã, mostrou que mulheres trans em tratamento hormonal apresentam 47 vezes mais chances de desenvolver a doença do que homens cisgêneros. Nesses casos, a desinformação e a transfobia ainda figuram entre as principais barreiras para a prevenção.

 

 

Reconstrução mamária ajuda na recuperação da autoestima

A integração entre mastologia e cirurgia plástica também faz parte do tratamento. No Hospital da Baleia, mutirões de reconstrução mamária são realizados 100% pelo SUS.

O médico cirurgião plástico e coordenador da área no hospital, Bruno Figueiredo, explica que a mastectomia, parcial ou total, provoca impactos físicos e emocionais profundos.

 

“A gente tenta trabalhar com a maior sensibilidade possível, porque é uma doença que toca muito as pessoas, em razão dos processos e múltiplas etapas. E o objetivo é que essas mulheres restituam a percepção do corpo, se sintam confiantes novamente e se vejam melhor, com mais carinho, no espelho e no dia a dia”, completa.

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