Decisão anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano amplia pressão internacional sobre as maiores facções criminosas do Brasil 

Marco Rubio EUA
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (Foto: Divulgação/Casa Branca)

Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira, 28 de maio, a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas globais. A medida foi divulgada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e passa a valer oficialmente a partir de 5 de junho.

Segundo o governo norte-americano, as duas facções serão enquadradas como “Foreign Terrorist Organizations” (Organizações Terroristas Estrangeiras) e também como “Specially Designated Global Terrorists” (Terroristas Globais Especialmente Designados).

Em comunicado oficial, o Departamento de Estado afirmou que PCC e CV estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”, destacando que os grupos possuem atuação transnacional, com redes ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, armas e crimes financeiros em diversos países da América Latina e até nos Estados Unidos.

O Primeiro Comando da Capital surgiu nos anos 1990 dentro do sistema prisional paulista e hoje é considerado a maior facção criminosa do Brasil, com forte presença em rotas internacionais do tráfico de drogas, especialmente na ligação entre Brasil, Paraguai e Bolívia.

Já o Comando Vermelho nasceu no Rio de Janeiro, ainda na década de 1970, e consolidou sua atuação em comunidades cariocas, expandindo posteriormente sua influência para diversos estados brasileiros. Atualmente, as duas facções possuem ramificações em presídios, periferias urbanas e corredores internacionais do narcotráfico.

Nos últimos anos, PCC e CV ampliaram sua presença para além do território brasileiro, estabelecendo conexões com organizações criminosas em países vizinhos e fortalecendo operações ligadas ao tráfico internacional de cocaína. Autoridades americanas alegam que a expansão das facções representa ameaça direta à segurança regional e aos interesses dos EUA.

A decisão norte-americana também gerou repercussão política no Brasil. O governo federal vinha tentando evitar essa classificação, alegando que a legislação brasileira diferencia organizações criminosas de grupos terroristas, já que o terrorismo, no país, está ligado a motivações ideológicas, religiosas ou políticas.

Especialistas e integrantes do governo brasileiro avaliam que a medida pode abrir precedentes para sanções econômicas e até tensões diplomáticas envolvendo soberania nacional.

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