Decisões recentes garantem a manutenção de críticas políticas e a retirada de conteúdos considerados falsos contra o senador

Desde que passou a se colocar como pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem acumulando decisões favoráveis na Justiça de Brasília em disputas envolvendo publicações nas redes sociais. Desde fevereiro, ao menos cinco decisões asseguraram a permanência de críticas ao PT ou determinaram a retirada de conteúdos considerados falsos contra ele.
O momento atual contrasta com o cenário de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentou sucessivas derrotas judiciais durante a campanha, o que acabou restringindo manifestações políticas direcionadas ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Naquele período, sob a justificativa de combate à desinformação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu limites a determinadas declarações, proibindo associações do PT ao crime organizado, além de restringir abordagens sobre temas como aborto, ideologia de gênero e referências às condenações de Lula por corrupção. Um documentário sobre o atentado de 2018 também sofreu censura prévia antes do segundo turno.
Além da retirada de conteúdos, o TSE aplicou multas e determinou a suspensão de perfis de políticos e apoiadores.
Diferentemente daquele contexto, as decisões mais recentes envolvendo Flávio Bolsonaro foram tomadas pela Justiça comum, responsável por julgar casos ligados à honra e à imagem. No campo eleitoral, ainda existem pedidos para retirada de publicações, mas sem decisão até o momento.
Em fevereiro, o desembargador Eustáquio de Castro suspendeu uma decisão que determinava a exclusão de uma postagem do senador. Ao analisar o caso, o magistrado afirmou não identificar, naquele momento, motivos suficientes para limitar a manifestação, ressaltando que a liberdade de expressão deve prevalecer como regra no debate político.
Esse entendimento foi acompanhado por outro desembargador, que considerou a publicação como uma crítica inserida no contexto político, com possível caráter irônico.
Já neste mês, a juíza Regina Soares de Sá negou pedido para remoção de um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro. Para a magistrada, o conteúdo se enquadra como manifestação de opinião e não ultrapassa os limites legais, mesmo sendo incisivo em sua crítica.
Segundo a decisão, o material expressa posicionamento político sem apresentar afirmações categóricas sobre práticas ilícitas, mantendo-se dentro dos limites do debate público.
Conteúdos falsos também foram alvo de decisões judiciais
Além da manutenção de publicações, a Justiça também determinou a retirada de conteúdos considerados falsos envolvendo o senador.
Em fevereiro, foi concedida liminar contra um militante que divulgou informação falsa sobre uma suposta ordem de prisão. A decisão apontou que a publicação apresentava indícios de narrativa fabricada com o objetivo de prejudicar a imagem e a honra do senador.
Neste mês, outra decisão determinou a remoção de publicações com uma imagem falsa, gerada por inteligência artificial, que simulava um encontro envolvendo o senador. A magistrada destacou que a divulgação de conteúdos inverídicos não está protegida pela liberdade de expressão.
Também foi determinada a retirada de uma falsa capa de revista atribuída a Flávio Bolsonaro. Segundo o juiz responsável, a rápida disseminação desse tipo de material pode gerar danos relevantes, justificando a remoção imediata.
Nas ações em andamento, a defesa do senador também solicita indenizações, mas os pedidos ainda aguardam decisão da Justiça.