Data nacional reforça importância do diagnóstico precoce e do controle da pressão para evitar complicações graves

Silenciosa e potencialmente letal, a hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, segue como uma das principais preocupações de saúde pública dos brasileiros. O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, reforça o alerta sobre os riscos da condição e a importância do diagnóstico precoce.
Trata-se de uma doença crônica que, na maioria dos casos, tem origem hereditária e pode desencadear complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doenças renais e até levar à morte.
Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema: a hipertensão está associada à morte de 388 pessoas por dia no País. O quadro se configura quando a pressão arterial atinge ou ultrapassa 140/90 mmHg, o equivalente a 14 por 9.
Por evoluir de forma assintomática, a doença costuma ser diagnosticada tardiamente, muitas vezes apenas após o surgimento de complicações. Nesse cenário, a prevenção e o acompanhamento regular se tornam determinantes.
A cardiologista do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais, Dra. Amanda Alcântara, reforça que o monitoramento deve começar cedo.
“A aferição da pressão arterial deve começar a partir dos 18 anos, de forma periódica,como estratégia de rastreamento e prevenção precoce da hipertensão”.
Hábitos e fatores de risco influenciam o avanço da doença
Embora a predisposição genética tenha peso relevante, diversos fatores comportamentais contribuem para o desenvolvimento da hipertensão. Entre eles estão o tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, estresse, ingestão excessiva de sal, colesterol elevado, sedentarismo, baixo consumo de potássio e alta ingestão de alimentos ultraprocessados.
Diante desse cenário, a adoção de hábitos saudáveis se apresenta como principal estratégia de prevenção.
“A prevenção da hipertensão baseia-se principalmente na redução do consumo de sal, alimentação saudável, atividade física regular, controle do peso, moderação do álcool, cessação do tabagismo e controle do estresse, medidas que reduzem o risco cardiovascular e ajudam no controle da pressão arterial”, afirma a especialista.
Sinais de alerta exigem atenção imediata
Apesar de, na maioria dos casos, não apresentar sintomas, a hipertensão pode manifestar sinais em estágios mais avançados. Dor de cabeça intensa, tontura, visão embaçada, falta de ar e sangramento nasal estão entre os principais alertas e não devem ser ignorados.
O diagnóstico depende da medição regular da pressão arterial, tanto em consultórios quanto em casa. Segundo a cardiologista, os parâmetros seguem uma classificação clara:
“Consideramos pressão normal quando está abaixo de 120/70 mmHg. Entre 120/70 e 139/89 mmHg, os níveis já indicam alteração. A hipertensão se confirma quando os valores atingem ou superam 140/90 mmHg, desde que em medições repetidas”, detalha.
Embora não tenha cura, o paciente pode controlar a hipertensão com tratamento adequado e individualizado.
“Cuidar da pressão arterial é cuidar da sua vida. A hipertensão muitas vezes não dá sinais, mas pode causar consequências graves quando não é controlada. Por isso, medir a pressão regularmente, manter hábitos saudáveis e seguir o tratamento são atitudes simples que fazem toda a diferença.” conclui a especialista.