Foram mais de 12 mil hospitalizações em 2025, e as quedas representam 44,7% das ocorrências locais

médico atendendo pediatra
Em Minas foram 12.183 hospitalizações no período, ficando atrás apenas de São Paulo (19.837 casos) (Foto: Magnific)

 

Minas Gerais registrou o segundo maior número de internações por acidentes envolvendo crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no Brasil em 2025. Foram 12.183 hospitalizações no período, ficando atrás apenas de São Paulo (19.837 casos).

Quando considerada a proporção pelo tamanho da população, a taxa mineira é de 59 hospitalizações a cada 100 mil habitantes, ficando ligeiramente abaixo da média nacional de 63. É o que indica um levantamento inédito realizado pelo Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, a partir de informações consolidadas pelo Ministério da Saúde (DataSUS).

Os dados detalham o perfil das lesões não intencionais em Minas Gerais e revelam que as quedas são, de longe, o principal motivo de internação na infância. Em 2025, o estado registrou 5.440 hospitalizações por quedas acidentais, o equivalente a 44,7% de todas as ocorrências graves registradas com esse público no território mineiro.

Dentro dessa categoria, destacam-se as chamadas quedas no mesmo nível. Os tombos provocados por escorregões, tropeços ou passos em falso levaram 961 crianças e adolescentes aos hospitais. Outras 909 internações ocorreram por quedas de outros tipos no mesmo nível (quando a pessoa perde o equilíbrio e cai ao nível do solo ou contra um objeto, sem elevação).

 

“O volume expressivo de internações por quedas e a concentração de ocorrências em determinados tipos de acidente mostram a importância de identificar os riscos presentes nos diferentes ambientes onde as crianças vivem, estudam e circulam. Informação e ambientes mais seguros e supervisionados são fundamentais para evitar que situações preveníveis resultem em lesões e hospitalizações. Esse cuidado exige, necessariamente, a atenção total dos adultos”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, cientista social e pesquisador da Aldeias Infantis SOS.

 

O pesquisador ainda alerta: “Caminhar olhando para o celular enquanto se segura ou acompanha uma criança é um risco altíssimo e, infelizmente, uma causa frequente de muitas dessas quedas”.

Sinistros de trânsito e intoxicações também aparecem entre os registros de hospitalização no estado: Outro dado que acende o alerta vermelho em Minas Gerais é o impacto do trânsito. Os sinistros foram responsáveis por 1.299 hospitalizações infantojuvenis no estado (o segundo maior volume do país nesta categoria).

Deste total, duas situações chamam a atenção pela gravidade: 433 crianças e adolescentes foram internados após serem vítimas de atropelamento (acidente enquanto pedestre), e outras 433 foram hospitalizadas vítimas de sinistros com bicicletas.

Dentro de casa e nos arredores, os perigos com animais peçonhentos também formam um cenário preocupante. Cima da média nacional, Minas Gerais registrou 626 internações por intoxicações, e mais da metade delas tem um causador específico: o contato com escorpiões levou 321 crianças e adolescentes aos hospitais mineiros em 2025.

O estudo da Aldeias Infantis SOS também traz dados referentes a mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos em todo o Brasil no ano de 2024. A soma das oito categorias analisadas revela que, naquele ano, foram registradas 3.341 mortes.

No levantamento, as sufocações foram a principal causa, com 1.039 óbitos (ou 31,1% do total de casos registrados), seguidas por acidentes de trânsito, com 922 (27,6%), e afogamentos, com 850 (25,4%). Juntas, essas três causas responderam por, aproximadamente, 84,1% das mortes totais do período analisado.

O perfil da mortalidade também muda conforme a idade. Crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, ou 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano somaram 930 óbitos (27,8%). Entre as sufocações, 75% das mortes vitimaram bebês, enquanto os afogamentos concentraram vítimas de 1 a 4 anos. Já os acidentes de trânsito atingiram diferentes perfis, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas.

Para Sturza, os dados reforçam, no conjunto, a necessidade de ampliar a prevenção e qualificar as informações sobre acidentes e riscos de morte.

 

“A Aldeias Infantis SOS defende que famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores envolvidos na proteção da infância atuem conjuntamente para engajar a sociedade em campanhas de conscientização e promover ambientes mais seguros e efetivamente protetores. O desafio, para todos nós, é fomentar uma cultura de cuidado e de responsabilidade coletiva sobre a segurança e o bem-estar de nossas crianças e nossos adolescentes, para que possam se desenvolver plenamente como indivíduos”, conclui o cientista social.

 

Atuação em Minas Gerais

A Aldeias Infantis SOS está presente em Minas Gerais com atuação focada na cidade de Juiz de Fora. Na localidade, a Organização desenvolve os serviços de Fortalecimento Familiar Direto, além de promover iniciativas de Entornos Seguros e Protetores e atuar com atendimento em Creche.

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