Apesar da redução nos preços de produtos do campo, valorização da arroba bovina mantém custo da carne elevado no Brasil.

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(Foto: Reprodução)

Mesmo com a queda nos preços agropecuários no Brasil, a carne continua cara para o consumidor. É o que mostram dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que ajudam a explicar por que o alívio no campo ainda não chegou ao bolso da população.

De acordo com o levantamento, o Índice de Preços ao Produtor de Produtos Agropecuários (IPPA) recuou 9,79% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Ainda assim, esse movimento não foi suficiente para reduzir o preço da carne bovina.

Queda generalizada no campo

Os dados mostram retração em diversos segmentos da produção agropecuária. Entre eles, os preços de grãos caíram 9,85%, enquanto cana e café recuaram 16,61%. Além disso, os produtos hortifrutícolas tiveram queda de 14%, e a pecuária, de forma geral, registrou retração de 5,73%.

Esse movimento acompanha a desvalorização de diversos produtos, com destaque para a laranja, que caiu 55,8%. O arroz recuou 39,83%, enquanto leite e ovos tiveram queda de 22,97% e 22,2%, respectivamente.

Arroba bovina puxa preço da carne

Por outro lado, a carne bovina seguiu um caminho diferente. A arroba do boi registrou alta de 5,9%, sendo o principal fator que impede uma queda mais significativa nos preços ao consumidor.

Na prática, isso significa que, mesmo com a redução em outros itens do agro, o custo da carne continua pressionado, já que a matéria-prima essencial segue em valorização.

Câmbio e custos de produção

Segundo o Cepea, a valorização do real frente ao dólar contribuiu para reduzir o custo de insumos importados. Além disso, a queda — ainda que mais moderada — dos preços industriais também ajudou a aliviar parte dos custos de produção.

No entanto, esses fatores não foram suficientes para compensar a alta da arroba bovina, o que mantém o preço da carne elevado no mercado interno.

Cenário acompanha tendência global

O movimento observado no Brasil segue uma tendência internacional. O Food & Beverage Index (FMI), principal indicador global do setor, registrou uma queda ainda mais intensa, com retração de 14,29% no mesmo período.

Mesmo assim, os preços internos demonstram maior resistência. Segundo pesquisadores, isso ocorre devido à dinâmica do mercado brasileiro e ao impacto do câmbio.

Por que o preço não cai?

De forma geral, os dados indicam que a queda nos preços agropecuários não chega de forma uniforme ao consumidor. Enquanto vários produtos registram desvalorização, a alta da arroba bovina mantém a carne em patamar elevado.

Além disso, a valorização do real, que avançou 10,12% no primeiro semestre de 2026, contribui para esse cenário ao influenciar custos e preços ao longo da cadeia produtiva.

Assim, mesmo com sinais de alívio no campo, o consumidor ainda sente no bolso o impacto da carne mais cara no Brasil.

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