Brasil conquista o Super Ouro pela segunda vez e reafirma liderança do queijo artesanal nas Américas

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Desde a criação da ExpoQueijo Brasil, apenas três países conquistaram o Super Ouro. A Itália e a Argentina. O Brasil entrou pela primeira vez na galeria de campeões em 2025 (Foto: ExpoQueijo/Divulgação)

 

O Brasil voltou ao lugar mais alto do pódio da maior competição de queijos artesanais das Américas. O Queijo Maranata Ouro, produzido pela Rancho Maranata, em Virgínia, no Sul de Minas Gerais, conquistou no sábado (27) o troféu Super Ouro da ExpoQueijo Brasil 2026 – Araxá International Cheese Awards, principal reconhecimento do concurso internacional realizado em Araxá.

É a segunda vez consecutiva que um queijo brasileiro conquista o prêmio máximo da competição. Depois do título inédito obtido pelo país em 2025, Minas Gerais reafirma sua posição de destaque no cenário internacional ao superar aproximadamente mil amostras inscritas por produtores de 19 países da América e da Europa.

O queijo vencedor disputou a categoria Queijo de leite cru, casca lisa e/ou lavada, com ou sem aquecimento, acima de 180 dias de maturação, vencendo concorrentes tradicionais, entre eles alguns dos mais consagrados produtores italianos de queijos de longa maturação.

Para o produtor Henrique Lamim, a conquista representa a consagração de um trabalho construído ao longo dos últimos anos e também o reconhecimento internacional da tradição queijeira da Mantiqueira de Minas.

 

“Nós estamos na região da Mantiqueira, uma região recém-caracterizada. São dez municípios que podem produzir esse queijo de massa cozida, trazido pelos imigrantes italianos há mais de 300 anos e que hoje tem nome e sobrenome: Mantiqueira de Minas. Concorremos com os reis do parmesão, como o Parmigiano Reggiano e o Grana Padano, e, com a graça de Deus, nosso queijo, com nove meses de maturação, conquistou o Ouro e o Super Ouro”, disse.

 

Henrique também destacou o orgulho de viver da produção artesanal e a transformação que os reconhecimentos nacionais e internacionais proporcionaram ao negócio familiar.

 

“Eu tenho o privilégio de fazer o que gosto: acordar cedo, contemplar a natureza, produzir um queijo de leite cru, recém-ordenhado, de um rebanho Jersey com sanidade controlada. Nós concorremos diretamente com os criadores desse tipo de queijo. Hoje aquele queijinho que meu pai vendia a preço de banana é comercializado para todo o Brasil com valor agregado. Ele não tem preço, ele tem valor. Tenho orgulho de dizer que vivo da produção rural”, afirmou.

 

Seis anos de evolução

O Super Ouro de 2026 é resultado de uma trajetória de aperfeiçoamento iniciada desde as primeiras participações da queijaria na ExpoQueijo Brasil. Henrique Lamim participa do concurso desde 2022 e construiu uma sequência de evolução até chegar ao principal título da competição.

Em 2023 conquistou a medalha de bronze; em 2024 recebeu a prata; em 2025 alcançou 96 pontos, mas terminou fora da classificação final. Neste ano, a dedicação foi recompensada com o reconhecimento máximo da competição.

“É o sexto ano que a gente participa. Para mim, é um concurso muito disputado e com muita credibilidade. Viemos trabalhando para melhorar a qualidade e este ano fomos agraciados com o Super Ouro”, disse.

Segundo o produtor, os retornos técnicos fornecidos pelos jurados tiveram papel decisivo na evolução do queijo.

 

“Os bastidores mais importantes do concurso são receber um feedback, saber se o sal está passando, se está com pouca ou muita umidade. Corrigi muito o meu queijo nesses últimos anos por meio das avaliações dos jurados”, afirmou.

 

Hall dos campeões da ExpoQueijo Brasil

Desde a criação da ExpoQueijo Brasil, apenas três países conquistaram o Super Ouro. A Itália venceu as edições de 2021 e 2022. A Argentina ficou com o título em 2023 e 2024. O Brasil entrou pela primeira vez na galeria de campeões em 2025 e, agora, conquista o prêmio pela segunda vez consecutiva, consolidando a força da produção artesanal brasileira no cenário internacional.

Segundo a organizadora da ExpoQueijo Brasil, Maricell Hussein, essa regra estimula a inovação entre os produtores e valoriza ainda mais o reconhecimento obtido.

 

“O Super Ouro representa o mais alto reconhecimento da ExpoQueijo Brasil. Quando um queijo conquista esse título, ele passa a fazer parte da história do concurso e entra definitivamente para o hall dos grandes campeões. O produtor pode continuar participando com outros produtos, maturações ou criações inéditas, mas aquele queijo vencedor deixa de competir. Isso valoriza a autenticidade da conquista e estimula a inovação constante dentro do universo queijeiro”, afirmou.

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