Volume de encomendas importadas mais que dobrou em junho e reacende debate sobre competitividade da indústria e do varejo nacional

A suspensão da alíquota federal de 20% aplicada a compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”, provocou uma forte alta nas importações realizadas por plataformas digitais.
Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que o Brasil recebeu 28,4 milhões de remessas internacionais em junho, volume 118% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O valor movimentado pelas compras alcançou US$ 574 milhões, crescimento de 107% na mesma base de comparação.
A isenção abrange produtos importados de até US$ 50 comercializados em plataformas internacionais, o que incluí itens de vestuário, cosméticos, artigos para casa, cama, mesa e banho, decoração e outros produtos de consumo.
Impactos da medida dividem setor produtivo
O aumento das compras reacendeu discussões entre representantes da indústria, do comércio e do agronegócio sobre os impactos da medida para a competitividade da produção nacional.
Segundo entidades do setor produtivo, a retirada da tributação amplia a diferença de custos entre produtos fabricados no Brasil e mercadorias importadas, uma vez que empresas nacionais continuam submetidas a uma carga tributária mais elevada ao longo da cadeia produtiva.
A preocupação é ainda maior em estados com forte presença industrial. Em Santa Catarina, por exemplo, lideranças empresariais apontam impactos mais significativos devido à relevância da indústria da moda e de outros segmentos que disputam mercado diretamente com produtos importados.
Outro fator destacado pelo setor é o valor médio das compras internacionais. Mercadorias adquiridas em plataformas estrangeiras por até US$ 50 correspondem, em muitos casos, à faixa de consumo mais comum entre os brasileiros, próxima de R$ 250, o que amplia a concorrência com o varejo nacional.
Para representantes da indústria e do comércio, o crescimento das importações reforça a necessidade de discutir mecanismos que garantam condições mais equilibradas de competitividade entre produtos nacionais e estrangeiros.