Documento detalha falhas em carteiras de crédito, envolve recursos bilionários e levanta questionamentos sobre qualidade dos ativos.

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(Foto: Reprodução)

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou irregularidades em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, após a descoberta de fraudes em carteiras de crédito adquiridas pela instituição pública.

De acordo com o documento, o Banco Master apresentou, como alternativa, ativos vinculados a beneficiários de auxílio emergencial, empresas com baixo capital social e até um consórcio gestor de cemitérios em São Paulo.

Essas informações foram encaminhadas pelo BRB ao Coaf em novembro do ano passado. No mesmo período, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, que era administrado por Daniel Vorcaro.

Relatório aponta problemas em créditos bilionários

O relatório de inteligência financeira, com 33 páginas, detalha inconsistências nos ativos apresentados e destaca irregularidades em direitos creditórios que somam R$ 6,6 bilhões.

Além disso, a investigação da Polícia Federal indica que o Banco Master estruturou carteiras de crédito consignado e posteriormente vendeu esses ativos ao BRB por R$ 12,2 bilhões.

Após questionamentos do Banco Central, o BRB recebeu autorização para substituir as carteiras consideradas problemáticas. No entanto, a medida não resolveu completamente as inconsistências identificadas.

Banco Central exigiu provisão bilionária

No início deste ano, o Banco Central determinou que o BRB realizasse provisão de pelo menos R$ 5 bilhões para cobrir possíveis prejuízos relacionados à operação.

Segundo o órgão regulador, esse valor pode ser ainda maior, dependendo da qualidade dos ativos envolvidos na negociação.

Acordo prevê transferência de ativos

Na segunda-feira (20), o BRB confirmou um acordo para transferir R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master para um fundo gerido pela Quadra Capital.

A operação envolve, principalmente, créditos vinculados ao programa Credcesta, voltado a servidores públicos.

Carteiras envolvem beneficiários de auxílio

De acordo com o Coaf, quatro carteiras de crédito apresentadas ao BRB tiveram origem em empresas cujos sócios ou administradores receberam auxílio emergencial durante a pandemia. Juntas, essas operações somam cerca de R$ 768,3 milhões.

Essas carteiras foram estruturadas por empresas que adquiriram créditos e posteriormente os revenderam ao Banco Master, antes de integrarem a proposta de substituição dos ativos.

Casos específicos levantam suspeitas

Em três situações analisadas, aparece como beneficiário do auxílio Everton Mendonça Pereira, ligado a empresas como Gran Viver Urbanismo, RMEX Construtora e SEJ Consultoria.

Essas companhias são responsáveis por créditos que totalizam R$ 588 milhões. Além disso, Everton recebeu R$ 7,2 mil em auxílio emergencial entre abril de 2020 e janeiro de 2022, conforme dados do Portal da Transparência.

Outro nome citado é o de Natan Aparecido Barros, que também recebeu auxílio em 2020 e figura como presidente da Gran Viver Urbanismo. Já Everton aparece como diretor da empresa.

Empresa contesta apontamentos

Em nota, a Gran Viver afirmou que considera “imprecisas” as associações entre pessoas físicas e operações empresariais. A empresa também destacou que atua no setor imobiliário há mais de 45 anos.

O caso segue sob análise dos órgãos de controle e investigação, enquanto as autoridades avaliam os desdobramentos das operações financeiras.

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