Especialista explica crescimento dos casos de deficiência visual e destaca como o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular evitam o avanço da doença

Paciente realiza exame oftalmológico com equipamento em consulta para avaliação da visão
Paciente passa por exame oftalmológico, etapa fundamental para diagnóstico precoce de doenças oculares (Foto: Freepik / Reprodução)

 

A perda de visão raramente ocorre de forma repentina. Na maioria dos casos não diagnosticados, o comprometimento ocular avança de forma silenciosa e impacta diretamente a qualidade de vida. É a partir desse cenário que a campanha Abril Marrom reforça o alerta para a prevenção de doenças oculares.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o acompanhamento adequado pode evitar ou tratar cerca de 80% dos casos de deficiência visual. Ainda assim, milhões de pessoas convivem com limitações que cuidados básicos poderiam prevenir.

O quadro ganha se agrava quando se observa a dimensão global do problema. Segundo a OMS, mais de 2,2 bilhões de pessoas no mundo apresentam algum grau de deficiência visual, sendo que ao menos 1 bilhão desses casos poderia ter sido evitado ou ainda não recebeu tratamento.

No Brasil, o cenário também preocupa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mais de 6,5 milhões de pessoas convivem com algum tipo de deficiência visual, incluindo mais de 500 mil casos de cegueira.

A oftalmologista da Rede Mater Dei das unidades Santo Agostinho e Betim-Contagem, Ana Clara Rezende, explica que o principal desafio está no comportamento silencioso dessas doenças, que frequentemente não apresentam sintomas nas fases iniciais.

 

“Grande parte das doenças oculares evolui silenciosamente. Quando o paciente percebe a perda visual, muitas vezes o quadro já está avançado. Por isso, a consulta de rotina é fundamental, mesmo na ausência de sinais aparentes”, explica.

 

 

Entre as principais causas de cegueira evitável estão catarata, retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade e glaucoma, que pode levar à perda irreversível da visão quando não controlado. Apesar de algumas dessas condições terem tratamento, o diagnóstico tardio ainda representa um obstáculo recorrente.

 

“A catarata, por exemplo, é uma condição reversível com cirurgia segura e eficaz. Ainda assim, muitos pacientes chegam ao serviço de saúde tardiamente, o que impacta diretamente a qualidade de vida”, afirma.

 

Outro ponto de atenção é a retinopatia diabética, complicação associada ao diabetes que afeta os vasos sanguíneos da retina e pode provocar perda visual.

 

“O controle adequado das doenças crônicas é uma das principais formas de preservar a visão. Quando há acompanhamento regular, é possível detectar alterações precocemente e evitar danos mais graves”, explica.

 

Além das consultas periódicas, medidas simples contribuem para a prevenção, como evitar a automedicação, especialmente com colírios à base de corticoides. Utilizar óculos com proteção ultravioleta, manter uma alimentação equilibrada e controlar doenças como diabetes e hipertensão também auxiliam na prevenção de doenças oculares.

Para a especialista, campanhas como o Abril Marrom desempenham papel estratégico na conscientização da população.

 

“A informação é uma ferramenta fundamental. Quando as pessoas entendem a importância do acompanhamento oftalmológico regular, conseguimos reduzir significativamente os casos de cegueira evitável. Cuidar da visão é um compromisso para toda a vida”, conclui.

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