Mudança no comportamento do consumidor já impacta ticket médio, tamanho das porções e modelos de atendimento, exigindo adaptação das franquias

caneta emagrecedora
Levantamento da Abrasel mostra que 61% dos estabelecimentos perceberam mudanças relacionadas ao uso desses medicamentos (Foto: Imagem Gerada IA)

 

O avanço no uso das chamadas canetas emagrecedoras começa a produzir efeitos que vão além da saúde e do mercado farmacêutico. No setor de alimentação, redes de restaurantes e franquias já observam mudanças no comportamento dos consumidores, que passaram a fazer refeições menores, reduzir o consumo por ocasião e buscar modelos mais flexíveis de atendimento.

Os impactos já aparecem nos indicadores do setor. Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 61% dos estabelecimentos perceberam mudanças relacionadas ao uso desses medicamentos.

Entre os principais efeitos estão a redução no consumo de pratos principais e sobremesas, maior procura por porções menores e aumento da demanda por bebidas não alcoólicas. Outro estudo, realizado pela Reds Research, identificou queda de 12% no ticket médio dos estabelecimentos após a popularização desses medicamentos.

Na avaliação da especialista Elizângela Siqueira, fundadora da rede Açaí no Kilo, o movimento representa um novo desafio para o food service. Se antes a estratégia estava concentrada na ampliação do consumo, agora muitas empresas precisam repensar formatos de atendimento, tamanho das porções e formas de oferecer maior flexibilidade ao cliente, preservando rentabilidade e experiência de consumo.

Para a especialista, o fenômeno demonstra como as franquias precisam acompanhar mudanças de comportamento para manter seus modelos de negócio competitivos.

 

“O consumidor está mais consciente da quantidade que deseja consumir e isso exige uma adaptação das empresas. Não se trata apenas de criar novos produtos, mas de oferecer formatos que permitam liberdade de escolha sem comprometer a operação. As redes que conseguem interpretar essas mudanças com rapidez tendem a responder melhor às novas demandas do mercado”, explica.

 

Segundo a empresária, modelos baseados em porções flexíveis ganham relevância justamente por acompanharem diferentes perfis de consumo.

 

“Percebemos uma busca crescente por personalização. O consumidor quer montar sua refeição de acordo com sua necessidade naquele momento, evitando desperdícios e consumindo apenas aquilo que faz sentido para ele. Essa lógica dialoga com uma tendência maior de autonomia nas decisões de consumo”, afirma Elizângela.

 

O comportamento também aparece em pesquisa da Scanntech, que analisou mais de 15 bilhões de cupons fiscais do varejo alimentar e cruzou os resultados com o estudo Tendências do Varejo 2026, realizado pela APAS em parceria com a Shopper Experience.

Entre os usuários das canetas emagrecedoras, 61% relataram redução do apetite e 49% afirmaram ter adotado escolhas alimentares mais saudáveis.

Embora o impacto ainda esteja em consolidação, especialistas avaliam que as mudanças podem influenciar decisões estratégicas das empresas de alimentação nos próximos anos.

Mais do que alterar cardápios, o desafio passa a ser desenvolver operações capazes de atender um consumidor que valoriza flexibilidade, personalização e consumo mais consciente

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