Levantamento revela a intenção de consumo das famílias da capital mineira

mulheres e famílias olham vitrines na rua reprodução site Fecomércio MG
A intenção de consumo das famílias de Belo Horizonte permanece praticamente estável em julho, mas ainda revela um comportamento marcado pela cautela (Foto: Reprodução/ site Fecomércio MG)

 

Da Redação

A intenção de consumo das famílias de Belo Horizonte permaneceu praticamente estável em julho, mas ainda revela um comportamento marcado pela cautela. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, registrou 83,9 pontos, repetindo praticamente o desempenho do mês anterior e permanecendo abaixo da linha dos 100 pontos, patamar que separa a satisfação da insatisfação dos consumidores.

Embora o indicador geral permaneça em território negativo, alguns componentes da pesquisa mostram sinais de resistência das famílias e ajudam a explicar por que o consumo não sofreu deterioração mais intensa.

Entre eles está a percepção sobre o emprego atual, que avançou para 102,0 pontos, acima da linha de satisfação. O resultado representa melhora em relação a junho e também ao mesmo período do ano passado. Hoje, 26,6% dos entrevistados afirmam sentir-se mais seguros em seus empregos do que há um ano.

Para a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, o mercado de trabalho continua sendo o principal fator de sustentação da confiança do consumidor.

 

“Mesmo com juros elevados e crédito mais restrito, o mercado de trabalho segue oferecendo um importante suporte às famílias. A percepção de maior segurança no emprego reduz parte das incertezas e impede uma deterioração ainda maior da confiança do consumidor.”

 

Outro aspecto que apresentou evolução foi a percepção sobre a renda familiar. O subíndice alcançou 97,8 pontos, ligeiramente acima do registrado no mês anterior e superior ao observado em julho de 2025.

Ainda assim, praticamente metade dos entrevistados (49,6%) considera que sua renda permanece igual à de um ano atrás, enquanto 26,2% avaliam que ela piorou e apenas 24,0% percebem melhora.

Na avaliação da economista, esse comportamento demonstra que as famílias continuam administrando o orçamento com bastante prudência. “A melhora da renda acontece de forma gradual e ainda não é suficiente para provocar uma mudança significativa no padrão de consumo. O consumidor permanece atento ao orçamento doméstico e prioriza despesas consideradas essenciais.”

A pesquisa mostra que a expectativa em relação à carreira profissional perdeu força em julho. O índice caiu para 79,9 pontos, recuando tanto em relação ao mês anterior quanto ao mesmo período de 2025.

Apenas 36,9% acreditam que o responsável pelo domicílio terá melhora profissional nos próximos seis meses, enquanto 57,1% não esperam avanços nesse período.

O acesso ao crédito também continua sendo um dos principais obstáculos ao consumo. O indicador ficou em 87,1 pontos, abaixo da linha de satisfação, e quase quatro em cada dez consumidores (39,2%) afirmam que conseguir empréstimos ou financiamentos está mais difícil do que há um ano.

Apesar disso, o índice apresentou leve melhora em relação ao mês anterior e avanço frente ao mesmo período de 2025.

Esse ambiente de maior restrição financeira ajuda a explicar o comportamento das compras. Mais da metade das famílias (54,5%) afirma estar consumindo menos do que no ano passado.

O índice de nível de consumo ficou em apenas 65,2 pontos, um dos mais baixos entre os componentes pesquisados, ainda que tenha apresentado pequena alta frente a junho.

Apesar da cautela observada nas compras atuais, a pesquisa identifica uma visão mais otimista para os próximos meses. O indicador de perspectiva de consumo permaneceu acima da linha dos 100 pontos, registrando 103,7 pontos.

Cerca de 35,9% dos entrevistados acreditam que irão consumir mais no segundo semestre deste ano do que no mesmo período de 2025. Segundo Gabriela Martins, essa diferença entre o comportamento atual e as expectativas futuras revela um consumidor que ainda adia decisões, mas não abandonou os planos de consumo.

 

“O consumidor belo-horizontino permanece cauteloso nas compras de maior valor, mas continua demonstrando expectativa de melhora ao longo dos próximos meses. A estabilidade do emprego e a recuperação gradual da renda criam condições para que o consumo avance de forma moderada, desde que o ambiente econômico permaneça favorável.”

 

A pesquisa também mostra que os consumidores seguem evitando a compra de bens duráveis. O indicador específico para esse segmento permaneceu em apenas 51,7 pontos e 74% dos entrevistados consideram que este ainda é um mau momento para adquirir produtos como eletrodomésticos e móveis. O resultado reflete o impacto dos custos do crédito sobre decisões de maior valor e prazo mais longo.

Na avaliação da Fecomércio MG, o cenário de julho reforça que o consumo das famílias continua sendo sustentado pelo mercado de trabalho, enquanto fatores como crédito caro e cautela com o orçamento ainda limitam uma recuperação mais consistente das compras.

A estabilidade do indicador geral mostra que o consumidor permanece atento às condições econômicas, aguardando um ambiente mais favorável para ampliar seus gastos.

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