Prefeito foi questionado sobre temas como crise na saúde, mobilidade e Orçamento Participativo em reunião realizada na segunda-feira (6)

O prefeito de Belo Horizonte Álvaro Damião apresentou nesta segunda-feira (6), na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), a prestação de contas do Executivo durante reunião com os vereadores. Obras, Orçamento Participativo, déficit orçamentário, crise nos hospitais, transporte coletivo, municipalização do Anel Rodoviário e requalificação do Centro foram alguns dos assuntos levantados.
Antes de responder às perguntas dos parlamentares, o prefeito Álvaro Damião apresentou ações que marcaram seu primeiro ano de mandato, a exemplo da redução na fila de exames médicos, nomeação de 3,8 mil profissionais da área de saúde, criação de novas vagas na educação, navegação em parte da Lagoa da Pampulha.
O plantio de 51 mil novas árvores e instituição da gratuidade em ônibus aos domingos e feriados. A falta de prazos concretos para conclusão de algumas obras em andamento, entretanto, frustrou tanto vereadores quanto moradores presentes.
Durante a apresentação do relatório do prefeito, o vereador Uner Augusto (PL) disse que o documento apresenta uma cidade (BH) e outra muito diferente no mundo real.
“Temos obras de drenagem, por exemplo, que já deveriam ter sido concluídas e, enquanto isso, a cidade sofre com as chuvas”, afirmou.
Ele lembrou que há diversos pedidos de autorização de empréstimos pelo Executivo tramitando na Câmara Municipal, que somam cerca de R$ 3 bilhões.
“Antes de pedir dinheiro para começar mais obras, não seria mais interessante acabar o que começou a ser feito?”, perguntou.
Para Álvaro Damião, apesar de algumas obras de drenagem ainda estarem inacabadas, elas já surtiram efeitos.
“Mesmo não estando ainda do jeito que queremos, elas permitiram que não tivéssemos grandes alagamentos. Mesmo não estando 100%, elas evitaram que Belo Horizonte ficasse debaixo d’água”, salientou. Já os empréstimos seriam necessários para realizar melhorias que não cabem no orçamento.
Anel Rodoviário e Orçamento Participativo
Sobre os radares de velocidade instalados no recém municipalizado Anel Rodoviário, Damião disse: “São importantes para salvar vidas. Levantamos quantas pessoas morreram nos últimos cinco anos nas dez principais avenidas da capital: 175. No mesmo período, só no Anel Rodoviário foram 180”.
O vereador Irlan Melo (PL) perguntou sobre a obra para ampliação de faixas de tráfego no trecho do pontilhão da linha férrea, na região do bairro Betânia. “O projeto está em elaboração, mas não gosto de falar prazos para não criar expectativa nas pessoas, porque temos de obedecer regras que muitas vezes não deixam as coisas andarem como gostaríamos”, respondeu Álvaro Damião.
Requalificação do centro
O projeto de requalificação do Centro, que tramita na Câmara Municipal, também foi um dos assuntos levantados pelos vereadores. O prefeito de BH falou sobre a importância do projeto como um fator a mais para a segurança da cidade.
“Hoje, no Centro, deu sete horas da noite e está tudo escuro, porque ninguém circula ali. Acabou o horário de expediente das poucas empresas da região e todo mundo vai embora”, contou Álvaro Damião.
Para ele, a proposta em pauta irá mudar esse cenário. “Vamos estimular a moradia na região central. Os prédios voltarão a ser ocupados, vão gerar imposto e a segurança vai aumentar”, afirmou. O prefeito disse querer um “centro vivo” e ressaltou o fato de ter nascido e vivido boa parte de sua vida no bairro Concórdia.
Álvaro Damião fez um balanço da gratuidade dos ônibus aos domingos e feriados. Damião disse que considera a tarifa zero um sucesso e que se sente realizado ao ver que a gratuidade possibilita “que famílias passeiem no Parque Municipal e que senhoras consigam levar seus filhos e netos à igreja nos domingos”.
Em entrevista coletiva realizada logo após a reunião especial, o presidente da CMBH, Professor Juliano Lopes (Pode), destacou que a participação de Álvaro Damião superou as expectativas.
“Ele respondeu com precisão a quase todas as perguntas formuladas pelos parlamentares e posso dizer que seu conhecimento e desembaraço sobre os assuntos tratados surpreendeu a todos, principalmente se comparado com prefeitos anteriores”, afirmou Juliano Lopes.
Nos dez dias seguintes à entrega da Prestação de Contas do Município pelo prefeito, os vereadores poderão apresentar pedidos de informação ao Executivo. A tramitação da prestação de contas na Casa, no entanto, fica suspensa até que o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais envie parecer prévio sobre os gastos. Depois disso, o processo é encaminhado à Comissão de Orçamento e Finanças Públicas para emissão de parecer e apresentação de projeto de resolução, que tramita em turno único.
*Com informações do site da Câmara Municipal de Belo Horizonte